O paradoxo do leitor no texto metaficcional e outras receitas

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.35356/issn.2357-9234.2026.2079

Resumen

O presente artigo analisa o paradoxo do leitor na metaficção, explorando as diferentes demandas que esse tipo de texto requer do leitor. A questão central reside nas disputas pela atenção do leitor, que é desafiado a navegar por múltiplas vozes narrativas enquanto tenta estabelecer conexões em meio a informações fragmentadas e não confiáveis. O objetivo principal do texto é analisar como essa relação paradoxal se manifesta nas obras O mez da grippe, de Valêncio Xavier, e Papel Manteiga para embrulhar segredos, de Cristiane Lisbôa. A metodologia consiste na análise comparativa das duas obras, focando na polifonia das vozes narrativas e nos elementos paratextuais e editoriais que conformam sua materialidade. A fundamentação teórica apoia-se em Linda Hutcheon (paradoxo do leitor metaficcional), Mikhail Bakhtin (polifonia) e Gérard Genette (paratextos). Os resultados indicam que, enquanto Papel Manteiga apresenta uma polifonia harmoniosa e branda, que guia o leitor a uma conclusão satisfatória, O mez da grippe constrói uma cacofonia de vozes dissonantes e inconciliáveis, que intencionalmente frustram qualquer tentativa de uma interpretação única e coerente, exigindo do leitor um papel ativo na construção de significados a partir do caos.

Publicado

2026-09-02