Modernidade periférica e fragmentação da experiência: literatura, cidade e crítica cultural

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DOI:

https://doi.org/10.35356/issn.2357-9234.2026.2075

Resumen

O artigo examina as contradições da modernidade capitalista a partir da obra Los siete locos (1929), de Roberto Arlt, articulando literatura, experiência urbana e crítica cultural. O romance retrata uma Buenos Aires marcada pelo caos social, pela especulação econômica e pela dissolução subjetiva, evidenciada pelas figuras do Astrólogo e de Erdosain. Nesse cenário, a modernidade periférica não se apresenta como progresso, mas como degradação e fragmentação da experiência. O estudo dialoga com a crítica de Beatriz Sarlo, especialmente sua formulação da cultura de mescla, que descreve a coexistência conflituosa de códigos culturais diversos em contextos urbanos latino-americanos. A análise também mobiliza referenciais da Escola de Frankfurt, notadamente Adorno, Horkheimer e Benjamin, para destacar a colonização da subjetividade e a ruína da experiência moderna. Posteriormente, a reflexão se amplia por meio do pensamento de Edward Said e Homi Bhabha, que introduzem a dimensão pós-colonial e a noção de entre-lugar, revelando a tensão entre centro e periferia na produção cultural. A contribuição de Silviano Santiago e Ángel Rama reforça a especificidade latino-americana desse processo, marcado por desigualdades estruturais e pela reelaboração crítica de heranças coloniais. Por fim, o texto dialoga com Fredric Jameson, cujo conceito de capitalismo tardio ilumina a transformação da cidade em vitrine global e a cultura em pastiche. Assim, o artigo sustenta que a modernidade periférica deve ser compreendida como experiência fragmentada, instável e contraditória, em que a literatura funciona como chave privilegiada de crítica e de revelação das ruínas do projeto moderno.

Publicado

2026-09-02