DEIA
Os princípios de Diversidade, Equidade, Inclusão e Acessibilidade (DEIA) são fundamentais para o avanço de uma ciência verdadeiramente robusta e relevante. Periódicos científicos comprometidos com esses princípios reconhecem que a qualidade da pesquisa está intrinsecamente ligada à diversidade de vozes que a produzem e à equidade no processo de sua publicação.
Um periódico científico que deseja ir além do discurso e incorporar efetivamente os princípios DEIA deve orientar sua atuação por meio de uma governança clara e ações práticas em todas as fases do seu fluxo editorial. Este compromisso começa com a publicação de uma política DEIA formal e transparente, que declare publicamente os valores e metas do periódico, e com a designação de um editor ou comitê específico para liderar, monitorar e reportar o progresso dessas iniciativas. A coleta e análise de dados demográficos sobre autores, revisores e membros do corpo editorial – de forma anônima e voluntária – são fundamentais para estabelecer uma linha de base e medir avanços de forma objetiva.
Para promover a Diversidade, o periódico deve atuar proativamente na composição dos seus quadros. Isso inclui buscar ativamente e nomear editores, membros de conselhos e revisores que representem uma variedade de gêneros, origens geográficas, etnias, disciplinas e estágios da carreira acadêmica, combatendo a homogeneidade que pode limitar perspectivas. Paralelamente, pode incentivar uma autoria mais diversa, monitorando os dados de submissões e promovendo chamadas de artigos sobre temas relacionados à equidade.
A Equidade exige a revisão crítica dos processos editoriais para identificar e remover barreiras. Medidas concretas incluem a implementação de revisão por pares às cegas (quando apropriado) e, a realização de treinamentos regulares para todo o corpo editorial sobre vieses inconscientes que podem afetar as decisões. O periódico deve também adotar políticas editoriais que combatam práticas como o "ciência de paraquedas", garantindo que pesquisas conduzidas em contextos locais incluam e creditem adequadamente colaboradores dessas regiões.
No âmbito da Inclusão, é essencial cultivar um ambiente editorial respeitoso e acolhedor. A adoção e a divulgação de diretrizes claras de linguagem inclusiva, que orientem autores e revisores sobre o uso de termos não discriminatórios em relação a gênero, etnia, deficiência e outras características, são um passo fundamental. A criação e a aplicação de um código de conduta para todas as interações (entre autores, revisores e editores) ajuda a garantir um tratamento profissional e livre de assédio. Pequenos gestos, como permitir que autores e editores informem seus pronomes de identificação nos perfis do sistema, também contribuem para um senso de pertencimento.
A Acessibilidade deve ser uma prioridade técnica e editorial, garantindo que o conhecimento publicado possa ser acessado e utilizado pelo maior público possível. Isso implica assegurar que o site do periódico e os arquivos em PDF dos artigos estejam em conformidade com padrões internacionais de acessibilidade digital, como as Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG), permitindo uma navegação eficaz por leitores de tela. No nível do conteúdo, é necessário exigir que todas as imagens, gráficos e tabelas incluam legendas descritivas detalhadas (texto alternativo) e considerar a oferta de resumos em formato de áudio.
Finalmente, a implementação bem-sucedida depende de um ciclo contínuo de avaliação e transparência. O periódico deve estabelecer metas mensuráveis a partir dos dados coletados, como percentuais de diversidade em seus corpos ou métricas de uso das isenções de taxas, e publicar relatórios anuais de progresso. Integrar os princípios DEIA não é um projeto com data de término, mas uma competência editorial permanente que fortalece a credibilidade, a relevância social e o impacto científico do periódico, transformando-o em um agente ativo para uma ciência mais justa e robusta.